quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

CAPAS DE LIVROS | Onde é que eu já vi isto?

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Andava eu despreocupadamente a navegar pela internet quando dei de caras com a capa deste livro, que desconhecia: A vida sabe o que faz de Zibia Gasparetto.
Foi inevitável não pensar de imediato no recente e tão bem falado Uma Praça em Antuérpia de Luize Valente.

Apenas três anos separam os dois livros. 
As semelhanças num elemento tão central em ambas as capas são inegáveis. 
Se era escusado? Era, completamente.

É caso para dizer que ficou a faltar um bocadinho assim de pesquisa:


Já deram de caras com semelhanças deste género?
Partilhem nos comentários, vou gostar de saber! :)

sábado, 30 de janeiro de 2016

BOOK REVIEW | Mundo do Fim do Mundo


Título: Mundo do Fim do Mundo
Autor: Luis Sepúlveda
Editora: Porto Editora
Ano de edição: 2016
Páginas: 128


Sinopse: 

Um adolescente, fascinado pela leitura de Moby Dick, aproveita as férias de verão para embarcar num baleeiro e conhecer, nos confins austrais do continente americano, as terras onde o mundo termina. Muitos anos depois, já adulto, jornalista e membro ativo dos movimentos ecologistas, o acaso fá-lo regressar a essas paragens distantes por uma razão distinta mas talvez igualmente romântica: a fauna marítima que habita as águas gélidas e impolutas desse mundo do fim do mundo está a ser destruída pela ação criminosa de navios piratas.

Partindo de um exercício ficcional de evocação da memória juvenil, impregnado de aventura e deslumbramento, Luis Sepúlveda traça um belíssimo roteiro do Chile Austral. Simultaneamente, põe a descoberto os obscuros interesses internacionais que sustentam a caça ilegal de espécies protegidas, aqueles que a praticam e aqueles que corajosamente a combatem, transformando a narrativa numa demanda pela salvação da vida do seu mar.



Opinião: 

Em poucas páginas, como só os bons escritores conseguem fazer, Luis Sepúlveda cria uma narrativa que leva o leitor a uma profunda reflexão. Os sonhos da juventude embatem na dura realidade da vida adulta, através de um relato cristalinamente denunciador das práticas de caça ilegal de espécies protegidas. Sepúlveda põe tudo a descoberto, desde as piráticas manobras de criação de navios fantasma, as cruéis técnicas de caça de baleias, a hipocrisia de países que descaradamente não cumprem convenções internacionais, aos obscuros interesses do poderio económico. O autor parece assim combater o lema “desprezo o que ignoro”: aqui, tudo fica a nu.

Apesar do teor marcadamente ecológico, desenganem-se os que pensam que este livro se limita a ser uma voz crítica. Somos automaticamente absorvidos pela sua componente de livro de viagem e pelas histórias míticas que o autor nos faz chegar em diálogos com a população local – chega mesmo a ser um verdadeiro roteiro pelo Chile Austral. Uma vez dentro deste barco expedicionário, visitamos os mais recônditos cantos do nosso planeta, esse tal Mundo do Fim do Mundo, contemplando a magistral beleza da natureza.

A esta nova edição da Porta Editora, bastante atractiva do ponto de vista gráfico e prática pelo formato de bolso, fica a faltar a integração de um mapa, presente noutras edições deste mesmo livro. É com bastante facilidade que o leitor se afoga nas abundantes referências geográficas e, entre estreitos, portos, cabos e canais, nem todos os leitores terão a orientação de um bom marinheiro.

Despertando a consciência ambiental de cada um de nós, “Mundo do Fim do Mundo” faz-nos sonhar com “mares abertos em que todas as espécies possam viver e multiplicar-se em paz e harmonia com as necessidades humanas”. Sepúlveda faz os alarmes soarem bem alto contra os homens que “viraram as costas ao encanto dos oceanos”. Entre aventuras e descobertas, será a força da natureza superior à mão destruidora do homem? Numa ode aos que corajosamente combatem os crimes ambientais e numa verdadeira “demanda pela salvação da vida do seu mar”, o livro fará as delícias das almas revolucionárias. 

“Amor e ódio. Vida e morte. Segredo e revelação. Tudo ao mesmo tempo e sem idades. É isso o mar…”
Opinião completa no Deus me Livro

Classificação:

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

OUTRAS CONVERSAS | Será Bruxelas um lugar seguro? CALL BRUSSELS dá a resposta












Todos acompanhámos os recentes ataques a Paris e como posteriormente Bruxelas ficou na mira da comunicação social pelas piores razões: alerta máximo por risco de terrorismo. A notícia de que dois dos extremistas envolvidos nos ataques viviam em Bruxelas só piorou a situação, alterando o modo como potenciais turistas viam a cidade. 
Ora, instalado o medo é inevitável a implicância no turismo da capital Belga.

Procurando mostrar que a cidade é segura e que devemos visitá-la sem receios, o site Visit Brussels criou a campanha Call Brussels (Ligue para Bruxelas, em português). A acção publicitária passou pela instalação de três cabines telefónicas especiais que permitiam a pessoas de todo o mundo ligar para os moradores locais, por forma a questioná-los sobre a segurança. As ligações eram feitas através do site Call Brussels, havendo uma câmera posicionada de modo a que quem ligasse conseguisse visualizar o morador que atendia o telefone. 

As cabines foram instaladas nas praças Mont des Arts e Flagey e em Molenbeek, local onde viviam os envolvidos nos ataques de Paris. 
O projecto decorreu entre 7 e 11 de Janeiro e os telefones não pararam de tocar. 
Aqui fica aqui o registo em formato vídeo: 


Mais uma ideia criativa que não podia deixar de partilhar convosco.
Acredito que trará uma nova onda de positivismo ao turismo em Bruxelas

sábado, 23 de janeiro de 2016

OUTRAS CONVERSAS | Rachel Baran, a artista dos auto-retratos poderosos


Como sabem, gosto de partilhar convosco artistas e projectos criativos com que me vou cruzando e que me inspiram de alguma forma. Desta vez apresento-vos Rachel Baran, uma jovem americana com pouco mais de 20 anos, que está a esbanjar talento pelas incríveis imagens que concebe. 

Rachel Baran cria auto-retratos poderosos, por vezes poeticamente surreais, perturbadores, por vezes profundamente etéreos, mas sempre hipnotizantes. A liberdade criativa desta artista parece não ter limites... e nós agradecemos. 

Um trabalho incrível que fala por si só. 
Deixo-vos com algumas das mais fascinantes imagens!

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Rachel Baran photography

The surreal, disturbing and sometimes erotic worlds of Rachel Baran


The surreal, disturbing and sometimes erotic worlds of Rachel Baran



Rachel Baran photography 
Se ficaram com vontade de ver mais podem fazê-lo aqui

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

BOOK REVIEW | Flores, de Afonso Cruz


Título: Flores
Autor: Afonso Cruz
Editora: Companhia das Letras
Ano de edição: 2015
Páginas: 272


Sinopse: 

Um homem sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo - e constatar o quanto a sua vida se afastou dela - decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas. Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. 


Opinião: 

Há livros que nos deixam sem palavras: tão magistrais que nos fazem sentir pequeninos, deixando um enorme vazio à sua passagem. Flores, de Afonso Cruz, é um deles. 
 A cada momento, a cada capítulo, a cada frase, a escrita de Afonso Cruz toca-nos profundamente - desconcertante, afectiva, autêntica.
Há poucos autores assim, que nos fazem ler uma passagem, parar, pensar, reler e voltar a reler. 

Flores é um livro que fala essencialmente de memórias. 
Da importância de tê-las, mas também de criá-las. De atentar nos detalhes.
Episódios improváveis, personagens invulgares, monólogos inesperados, construção narrativa inteligente, sentido de humor e crítica socio-política subtil: é a voz de Afonso Cruz que está aqui espelhada.

Há livros com boas histórias. Há livros bem escritos. 
Quando encontramos um livro que reúna as duas condições não podemos guardá-lo na estante, mas bem juntinho ao coração. 
Um dos melhores escritores da actualidade (senão o melhor), que não devem mesmo perder!


Classificação:

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

CITAÇÕES | Flores, de Afonso Cruz



"As lágrimas não são todas iguais. Quimicamente, as lágrimas provocadas pelo descascar de uma cebola são diferentes daquelas que choramos quando enterramos o nosso pai. As lágrimas, todas elas, contêm óleos, anticorpos e enzimas. As que chorei nesse dia em que atirei uma pá de cal para o buraco onde enterraram o pai tinham, além das partículas que o microscópio detecta, a tisteza imensa de não podermos partilhar mais uma garrafa de vinho. Uma coisa são lágrimas de cebola e outra são lágrimas do coração.”

Afonso Cruz
Flores 

▼ ▼ ▼ ▼ ▼
Que livro maravilhoso. Leiam Afonso Cruz. 
Acreditem que se pudesse, de tão delicioso, citava o livro praticamente todo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

BOOK REVIEW | Red Queen, de Victoria Aveyard

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Título: Red Queen
Autor: Victoria Aveyard
Editora: HarperTeen
Ano de edição: 2015
Páginas: 383


Sinopse: 

O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.

Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate - uma rebelião dos Vermelhos - mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.

A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena?



Opinião: 

Tenho sempre receio com livros com um hype tão grande quanto Red Queen
Criam-se tantas expectativas, que muitas vezes estas saem defraudadas, mas não podia deixá-lo de parte... e ainda bem que não o fiz.

A premissa do livro atraiu-me logo desde início, e gostei muito do mundo criado por Victoria Aveyard. Desde a oposição Red vs Silver, aos poderes sobrehumanos, traições e intrigas palacianas, as lutas pelo poder: um cocktail de factores que prendem o leitor à história. 

Ainda assim, Red Queen está longe de ser o melhor livro distópico que já li. Primeiro, é inevitável não ver semelhanças com outras distopias, nomeadamente Hunger Games e The Selection. A colagem é tão óbvia que nos deixa logo de pé atrás a ansiar por mais originalidade. Depois, faltou-me empatia para com a personagem principal Mare. É fácil ficar a torcer pelos Red, mas fica a faltar sentir aquele vibrar (que senti quando li Hunger Games, por exemplo). As próprias relações entre personagens ficam um bocadinho a pairar no ar, sem grande profundidade. Já agora, mais uma pitadinha de romance não fazia mal nenhum. Por último, o que nos decepciona em previsibilidade na primeira parte do livro, oferece-nos em espanto no twist final. Sem dúvida que o desfecho nos deixa sem ar a ansiar por Glass Sword.

Em suma, gostei de Red Queen, é óbvio que vou querer ler o segundo livro, mas espero sinceramente que este nos chegue com algumas arestas bem mais limadas. Se a partir de meio do livro Red Queen melhorou substancialmente, só posso ficar a esperar mais e melhor de Glass Sword.


Classificação: