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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

BOOK REVIEW | O Deus das Moscas


Título: O Deus das Moscas
Autor: William Golding
Editora: Dom Quixote
Ano de edição: 2008
Páginas: 258


Sinopse: 

Publicado originalmente em 1954, O Deus das Moscas de William Golding é um dos mais perturbadores e aclamados romances da actualidade.

Um avião despenha-se numa ilha deserta, e os únicos sobreviventes são um grupo de rapazes. Inicialmente, desfrutando da liberdade total e festejando a ausência de adultos, unem forças, cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo. A supervisioná-los está Ralph, um jovem ponderado, e o seu amigo gorducho e esperto, Piggy. Apesar de Ralph tentar impor a ordem e delegar responsabilidades, muitos dos rapazes preferem celebrar a ausência de adultos nadando, brincando ou caçando a grande população de porcos selvagens que habita a ilha. O mais feroz adversário de Ralph é Jack, o líder dos caçadores, que consegue arrastar consigo a maioria dos rapazes. No entanto, à medida que o tempo passa, o frágil sentido de ordem desmorona-se. Os seus medos alcançam um significado sinistro e primitivo, até Ralph descobrir que ele e Piggy se tornaram nos alvos de caça dos restantes rapazes, embriagados pela sensação aparente de poder.


Opinião: 

O Deus das Moscas é um clássico, daqueles que todos conhecemos, mas que nem todos fazemos ideia da surpresa que se vem a revelar após a sua leitura.
Isto porque é muito mais que um livro sobre uns rapazes perdidos numa ilha. 
É um livro sobre como o ser humano se comporta (e se transforma) face à necessidade de sobrevivência. Como uma situação extrema pode revelar o pior que há na natureza humana, mas também o melhor: o companheirismo e a amizade verdadeira. 

Está recheado de simbolismo, de pequenas mensagens que precisamos de ler nas entrelinhas. Sem dúvida que as personagens são o ponto forte do livro, com personalidades tão díspares e cativantes.
Não é por acaso que o autor escolhe as crianças para passar a sua mensagem, o que torna tudo ainda mais inquietante. Serão as crianças pequenos seres inocentes como pensávamos? O que somos capazes de fazer numa situação extrema, perante o medo do desconhecido, os conflitos latentes e a necessidade de viver em comunidade? O que é preciso para despertar a crueldade que parece habitar dentro de nós, ainda que por vezes escondida? Até que ponto pensamos por nós próprios e não vamos atrás do que os outros ditam, sem discernir da sua razoabilidade?
Qual deve ser afinal o nosso comportamento em sociedade? Quem somos nós?

Sem dúvida, um livro que nos faz reflectir sobre a verdadeira natureza humana.





Classificação:

domingo, 4 de outubro de 2015

BOOK REVIEW | Breakfast at Tiffany's (boneca de luxo)


Título: Breakfast at Tiffany's (boneca de luxo)
Autor: Truman Capote
Editora: Dom Quixote
Ano de edição: 2009
Páginas: 120


Sinopse: 

Holly Golighly é mais do que uma boneca de luxo. Deslumbrante, espirituosa e ternamente vulnerável, inquietando as vidas dos que com ela se cruzam, é retratada por Truman Capote em Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo), um romance tocante e singelo sobre a amizade, que constitui uma autêntica história de sedução. 
Verdadeiro clássico da literatura americana contemporânea, nele se inspirou Blake Edwards para o filme homónimo protagonizado por Audrey Hepburn.

Opinião: 

Breakfast at Tiffany’s é um clássico da literatura e como tal já há muito que figurava na minha lista de leituras.
Foi uma leitura rápida, mas proveitosa.

Truman Capote afirmou que de todas as personagens que criou Holly Golighly foi a sua preferida. 
Não é difícil deslindar o porquê.
Espírito livre, de natureza boémia, está sempre pronta a partir em busca da sua felicidade.
Vive no deslumbramento, no limbo entre a ingenuidade e a consciência da sua forma de vida. Uma personagem que cativa pelas suas 'tiradas' próprias de quem tenta viver desapegado de sentimentos, mas que no fundo os tem e acaba por demonstrar.
(O não saber o que é nosso, até deixá-lo ir, até o perder.) 

Uma leitura leve e divertida. Com um enredo simples, mas com o luxo irresistível da atmosfera nova iorquina da década de 40.
Gostei da escrita de Capote, fluída e simples, sem grandes artifícios, mas capaz de retratar tão bem as personagens, quem são e o que lhes vai no espírito. 

Free Spirit. Don't be caged.  -Breakfast at Tiffany's:

Classificação:

sábado, 12 de setembro de 2015

BOOK REVIEW | A Sombra do Vento


Título: A Sombra do Vento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Dom Quixote
Ano: 2004
Páginas: 507


Sinopse: 

Numa manhã de 1945 um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.
Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de amor cujo o eco se projecta através do tempo. Com uma grande força narrativa, o autor entrelaça tramas e enigmas ao modo de bonecas russas num inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, numa intriga que se mantém até à última página.


Review: 

A Sombra do Vento é um livro muito especial. 
Principalmente para os que têm "aquela doença dos livros e das palavras".
É daqueles livros que queremos rapidamente avançar para ver o desenlace, mas ao mesmo tempo queremos demorar-nos em cada página, saboreando cada frase. 

Ficamos presos pelo mistério, pelas personagens brilhantemente desenvolvidas e pela escrita poética que nos absorve. É um livro sobre outro livro. Uma ode à devoção dos leitores.

Do Cemitério dos Livros Esquecidos, ao contexto histórico da sumptuosa e sombria Barcelona, à inquietante história de Carax, até ao romance de Daniel e Beatriz.
O enredo não podia ser mais envolvente e misterioso, pautado por momentos negros, mas também cómicos. E por falar em comédia, o astuto Fermín é possivelmente das personagens que mais gostei de conhecer (de todo o sempre), capaz de nos arrancar uma boa gargalhada com os seus modos peculiares, mesmo nos momentos de maior tensão da trama.

Cedo percebemos que passado e presente se entrecruzam.
Depois de muito suspense o escritor presenteia-nos com um final surpreendente, inesperado, mas extremamente esclarecedor para todas as personagens.



Intriga. Suspense. Amor. Ódio. Traição. Vingança. Solidão.
Um livro sobre a magia e fascínio que os livros exercem no mais íntimo da nossa alma
Um livro que não devem perder!

Classificação:

sábado, 8 de agosto de 2015

BOOK REVIEW | O Bom Inverno



Título: O Bom Inverno
Autor: João Tordo
Editora: Dom Quixote
Ano: 2010
Páginas: 292

Sinopse: 
"Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história." 

Review:
Quando se geram grandes expectativas têm-se as maiores desilusões.
Este foi o primeiro livro que li de João Tordo e acho que não comecei da melhor maneira. O livro não prendeu a minha atenção, de todo.  Achei interessante ser um livro sobre escritores, mas tudo o resto não cativou.
A história não surpreende e chega até a ser monótona e enfadonha.
Acho que a trama deixa demasiadas pontas soltas, num fim precipitado e confuso.

Mas nem tudo é mau. Destacam-se os diálogos metafísicos de Bosco, esses sim capazes de captar toda a nossa atenção. Verdadeiramente surpreendentes e demonstradores da riqueza e profundidade da personagem, quando nada o fazia prever.

Queria tanto ter gostado deste livro. 
Vou dar uma nova oportunidade a João Tordo... mas não tão cedo!


Classificação: