Novo álbum das aventuras de Astérix (o nº 36), assinado pela nova dupla de autores que já foi responsável pelo álbum anterior (Astérix entre os Pictos).
Opinião:
Quem me segue no Goodreads sabe que nos últimos dois meses tenho feito uma maratona de leitura dos livros de Astérix, que culminou na leitura do mais recente álbum da era pós Goscinny e Uderzo - O Papiro de César. Ainda que um pouco reticente ao início, uma vez que no ano anterior tinha lido as As Aventuras de Tintin, difíceis de igualar (e das quais sou fã incondicional), a verdade é que fui entrando no espírito gaulês e diverti-me com estas leituras. O Papiro de César procura uma sátira à modernidade, apesar de manter uma base histórica, como é tradição. Gira em torno do livro A Guerra das Gálias, em que Júlio Cesar conta a história das suas campanhas na Gália, mas sobretudo de um capítulo suprimido que revela o segredo que o imperador procura esconder: César não conquistou toda a Gália. Um conhecido boateiro gaulês, de seu nome Gerapolémix, vai fazer chegar esse capítulo aos irredutíveis gauleses da Armórica, para que estes possam repor toda a verdade.
É uma leitura divertida, que mantém a sua essência: os trocadilhos, os momentos provocatórios entre o peixeiro e o ferreiro (Ordenalfabetix e Automatix), as críticas pegadas da mulher do chefe da aldeia e como este procura contradizê-la mesmo sabendo que ela tem razão, as demonstrações de "talento" do bardo Cacofonix e, claro, a gula de Obélix por javalis. Mas a nova inspiração revela-se bem contemporânea: o controlo de informação. Ainda que Didier e Conrad se mostrem fiéis a Goscinny e Uderzo, quer em espírito, quer em estilo do desenho (que, diga-se, é irrepreensível), sinto que, tal como no álbum anterior, continua a faltar qualquer coisa: faltam-lhe as tiradas únicas dos seus criadores. Apesar de tudo, é muito bom voltar a ler novas aventuras de Asterix, até porque a tira final deste álbum não nos poderia deixar mais nostálgicos, prestando um verdadeiro tributo aos inigualáveis Goscinny e Uderzo.
Já a entrar no espírito natalício, mas ainda com um pézinho no Outono, aqui ficam as novas entradas na minha estante... e que boas entradas! :) 1. Frankenstein, de Mary Shelley. Sempre tive muita curiosidade em ler este livro. O lançamento da adaptação cinematográfica deu o empurrão final para o adquirir. Entretanto a estreia do filme foi adiada para 18 de Fevereiro. 2. Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa, de Judith Kerr. Com a actual vaga de refugiados, este livro não podia estar mais actual. Um livro juvenil que gostei de ler, com opinião aqui. 3. Puxar a Brasa à Nossa Sardinha, de Andreia Vale. Com um título apelativo e a minha curiosidade pela sabedoria popular, este livro teve que vir cá para casa.
4. 500 Erros Mais Comuns da Língua Portuguesa, de Sandra Duarte Tavares. Para quem não gosta de dar pontapés na Língua Portuguesa. E acreditem que erramos muito. 5. Talismã, de Mário Zambujal. Mário Zambujal, com o seu estilo inconfundível, nunca desilude. Opinião aqui. 6. As Flores de Lótus, de José Rodrigues dos Santos. Digam o que disserem, sou fã de José Rodrigues dos Santos, principalmente dos romances históricos, que são o meu género literário preferido. Estou muito muito curiosa com este aqui! 7. Flores, de Afonso Cruz. Estou cada vez mais fascinada com a escrita de Afonso Cruz. Com uma sinopse igualmente incrível, quero lê-lo muito em breve. 8. O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry. Este livro é mágico, já todos sabemos. Agora com anotações de José Luís Peixoto e ilustrações (maravilhosas, digo-vos já!) de Hugo Makarov, fica irresistível. Edição linda, linda, linda. Quero iniciar 2016 a ler este livro! 9. Animorphia, de Kerby Rosanes. Ainda não falei disto aquilo no blogue, mas adoro livros de colorir. Kerby Rosanes entrou directamente para o meu top de ilustradores preferidos. Fica prometido que vos mostro algumas pinturas em breve. 10. Sete Mares, de Johanna Basford. Mais um livro de colorir, e este ganho num passatempo graças a uma pintura do Animorphia. Fiquei tãaaaao contente. Tinha morada certinha cá para casa de qualquer forma, mas assim soube muito melhor.
Com a estante bem mais recheada, esperam-se boas leituras para os próximos tempos. As constantes promoções têm tornado difícil de resistir à compra de livros.Digam-me: algum destes despertou a vossa curiosidade? Já leram algum? Gostava muito de saber as vossas opiniões! :)
Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa é uma das obras mais lidas por jovens de todo o mundo. Considerada um clássico da literatura juvenil, e inspirada na vida da própria autora, fala-nos da Segunda Guerra Mundial numa nova perspectiva e até com algum humor. Vive-se o ano de 1933. Anna tem apenas nove anos e anda demasiado ocupada com a escola e com os amigos para reparar nos cartazes políticos espalhados pela cidade de Berlim com a suástica nazi e a fotografia de Adolf Hitler, o homem que muito em breve mudaria a face da Europa. Ser judeu, pensa ela, é apenas algo que somos porque os nossos pais e avós são judeus.Mas um dia o pai dela desaparece inexplicavelmente. E, pouco tempo depois, ela e o irmão, Max, são levados pela mãe com todo o sigilo para fora da Alemanha, deixando para trás a sua casa, os amigos e os amados brinquedos. Reunida na Suíça, a família de Anna embarca numa aventura que vai durar anos.
Opinião:
Somos enviados para a Alemanha de 1933 através do pensamento de Anna, uma menina judia de 9 anos cujo pai, um famoso escritor alemão, se atreve a ser um assumido crítico do regime nazi. Anna, com a inocência própria da sua idade, está longe de perceber o ambiente político que a envolve. (...) Tudo muda quando o seu pai, antevendo a vitória do ditador nas eleições, se vê forçado a partir abrupta e secretamente em busca de um país de acolhimento. Cedo, Anna, a mãe e o irmão Max se juntam a ele na Suíça, a sua nova casa. Mas a aventura está apenas a começar, até porque a palavra “casa” assume um significado diferente quando se é refugiado.
Vamos acompanhando a nova vida da família, com todas as dificuldades próprias de quem se vê obrigado a um novo país, uma nova cultura, novas pessoas, uma nova língua, mas sempre demonstrando uma incrível capacidade de adaptação. Assistimos até a algumas situações caricatas, sobretudo devido às diferenças culturais, o que acaba por aligeirar um retrato que poderia ser muito mais duro. (...)
Se este livro adquire um tom mais soft, dado o tema pesado, deve-se ao olhar inocente de Anna, que se assume simultaneamente como o ponto forte do livro. Tão inocente que, quando lhe é dito que o pai tem “a cabeça a prémio”, ela pensa que lhe vai cair “uma chuva horrível de moedas pesadas” em cima. As ilustrações feitas pela própria autora, Judith Kerr, também tornam a leitura mais apelativa.
Muito mais do que uma história sobre a Segunda Guerra Mundial, esta é, acima de tudo, a história de uma família de refugiados. Aliás, o regresso deste livro há muito esgotado em Portugal, não poderia apanhar os leitores dotado de tanta actualidade. Como o faz lembrar – e muito bem – Carla Maia de Almeida no prefácio, estamos a braços com a maior vaga de refugiados desde o tempo da Segunda Guerra Mundial. É pois tempo de reflectir, e este livro é um excelente ponto de partida.
Uma história interessante, sobretudo se pensarmos no carácter semi-autobiográfico, que não se prende com detalhes históricos que poderiam aborrecer os mais jovens, mas sim no retrato do dia-a-dia de uma família com uma força surpreendente. Da Alemanha para a Suíça, França e, por fim, Inglaterra. Neste livro há muita coragem mas, sobretudo, muito afecto e uma mensagem importante: tudo está bem desde que a família esteja unida.
Quando utilizam saquetas de chá depois deitam-nas fora, certo?
A artista filipina Ruby Silvious, com o projecto "365 Days of Tea" dá uma nova vida a estas saquetas, transformando-as em autênticas telas de aguarela.
A artista desafiou-se a criar uma nova obra de arte todos os dias aproveitando os saquinhos de chá para pintar paisagens, objectos ou personagens.
“Para mim, o mais importante é mostrar para as pessoas que a arte pode ser encontrada de maneiras diferentes, inovadoras e que coisas descartadas podem ganhar nova vida” (daqui).
(a propósito dos recentes atentados em Paris!)
Aconselho-vos a acompanharem este magnífico projecto no Instagram e no site da artista.
Hoje assisti ao filme Le Petit Prince, a mais recente adaptação cinematográfica do livro de Saint-Exupéry, e não podia deixar de vir falar-vos sobre ele.
Todos lemos O Principezinho, em alguma altura da nossa vida e acho que é indiscutível: é um livro absolutamente maravilhoso. No início deste ano li-o mais uma vez, na versão original, com prefácio de Valter Hugo Mãe. Uma coisa é certa, a cada leitura vamos descobrindo novos pormenores a que não demos atenção da primeira vez e que nos deixam absolutamente rendidos. Recentemente ofereceram-me uma nova versão, com ilustrações de Hugo Makarov e anotações de José Luís Peixoto, que me deixou sem fôlego. Estou ansiosa por lê-lo e acho que o vou fazer logo no início de 2016, para começar as leituras do ano em grande.
Quanto a este filme, é o primeiro em filme de animação(apesar de haverem outras adaptações) e, na minha opinião, corresponde às altas expectativas criadas.
Acompanhamos uma menina, a protagonista, que vive uma educação rígida com uma intensa rotina de estudos, tão rígida que nela não têm lugar as brincadeiras próprias da infância. Até que um dia conhece o vizinho Aviador, que foge às regras da sociedade que o rodeia, em que tudo é ordeiro e estandardizado. Esta amizade traz-lhe sentimentos que até então desconhecia: a alegria, a diversão, a verdadeira essência da infância. É este novo amigo que lhe conta a história que escreveu sobre o Principezinho - as histórias das suas viagens e de como um dia o conheceu.
Achei uma maneira muito interessante de apresentar a obra, porque propõe um novo olhar, não se limitando a uma simples transposição daquilo que já conhecemos do livro.
E o que achei mais fascinante foi o modo como Mark Osborne distingue estas duas partes do filme: as cenas da menina e do Aviador são apresentadas em animação 3D, já as cenas da história do Principezinho propriamente dita são em stop-motion.
Destaco o respeito que tiveram pelas ilustrações originais de Saint Exupéry, que também aqui têm lugar.
Quanto à mensagem, essa está lá:
"O problema não é ficar adulto. É esquecer."
Não esqueçamos O Principezinho, muito menos agora em adultos: vejamos o que realmente é importante... vejamos com o coração.
Um filme profundamente enternecedor, que nos aquece o coração.
Se ainda não estão cativados, deixo-vos com algumas imagens!
O grupo do Goodreads Maratonas, Desafios e Leituras Conjuntas criou um novo desafio, o Desafio Natalício, que consiste em ler, durante o mês de Dezembro, pelo menos três livros das seguintes categorias:
1 - Um livro cuja acção se desenrola no Natal ou que tenha a palavra "Natal" no título;
2 - Um livro que nos faça recordar o tempo frio;
Um livro que tenha no título as palavras "Frio", "Neve" ou "Inverno", ou cuja capa seja branca ou tenha neve;
3 - Ler um livro com capa verde ou vermelha ou com ambas as cores;
Como estamos no mês do Natal e as cores verde e vermelha são cores que associamos sempre a este período;
4 - Ler um livro infanto-juvenil, com ou sem ilustrações, que se desenrole no Natal;
5 - Ler um livro cujo título tenha uma das palavras - Paz, Prenda, Presente (no sentido de oferta, prenda) ou Amor - ou cuja ilustração da capa as represente, como por exemplo, um casal apaixonado, ou uma prenda ou até mesmo algum símbolo natalício;
6 - Ler um livro que tenha no título o nome de uma cidade ou país onde gostarias de passar esta época festiva.
O Preto no Branco não poderia deixar a escapar a oportunidade de participar.
Da participação em outros desafios percebi que gosto de ler o que me apetece no momento e, definindo à partida os livros a ler no desafio, posteriormente vejo-os como uma obrigação e acabo por não desfrutar a leitura como deveria. Assim sendo, não quero definir já os livros que vou ler, mas se a vontade se mantiver, vou pelo menos ler estes dois livros:
Contos de Natal, de Charles Dickens
Primeira categoria:
Um livro cuja acção se desenrola no Natal ou que tenha a palavra "Natal" no título.
(já o pretendia ler para entrar no espírito natalício)
Para onde vão os guarda-chuvas, de Afonso Cruz
Segunda categoria:
Um livro que nos faça recordar o tempo frio ou cuja capa seja branca.
(já há muito que quero ler este livro, mas não sei porquê quis deixá-lo para esta altura no ano)
Espero que se divirtam e que se juntem a nós aqui! :)